Em 2013, o pediatra Dr. Fernando José da Nóbrega (1930-2019), um dos fundadores do Sabará, contou ao Centro de Memória e Referência sobre a formação da sociedade que fundaria o Hospital, em 1962. Ele disse que havia algumas exigências a serem cumpridas, entre elas que fosse uma pessoa preparada tecnicamente para a atuação e que fosse honesta, mas tinha de ser “honesta integral”, porque “se você não for honesto não serve para nada”. A tarefa não foi fácil, e eles precisaram de nove meses para reunir dez pessoas com tais qualidades, mas o desafio valeu a pena porque o Hospital cresceu e prosperou.
Mais de dez anos depois dessa entrevista, em 2024, o advogado Eduardo Szazi, que é parceiro aqui da Fundação desde que foi criada, endossou a afirmação do Dr. Fernando ao destacar os dois pilares sobre os quais a Fundação trabalha: “o pilar da competência técnica e o da ética. Isso é um elemento muito essencial para o sucesso”, pois não se trata de crescer a qualquer preço, daí a “necessidade de reunir esses dois conjuntos de competências para que a operação cresça bem sucedida”.
Desafios à vista! Ao iniciar uma instituição, seja o Hospital Sabará, na década de 1960, seja a Fundação, em 2010, é de se esperar que muitos desafios apareçam pelo caminho e que decisões precisem ser tomadas – sejam aquelas grandes decisões estratégicas que impactam a instituição como um todo (e mais do que ela), sejam aquelas que são tomadas individualmente durante as inúmeras relações que acontecem no cotidiano. E é nesses momentos, quando surgem dilemas nem sempre fáceis de serem resolvidos, que precisamos nos perguntar sobre a forma mais correta, honesta e justa de agir, de acordo com os princípios adotados e aperfeiçoados pela sociedade e que nos comprometemos enquanto instituição a seguir em benefício de todos.
Isso porque, dando continuidade ao que destacamos antes, na postagem sobre filantropia, ao dizer que a filantropia sempre visa o bem comum, a ética sempre diz respeito à nossa relação com as outras pessoas e com a sociedade. Afinal, é exatamente quando as pessoas agem pensando apenas nos próprios interesses ou do seu grupo que surgem comportamentos desonestos, injustos e antiéticos, enquanto por outro lado a consciência de humanidade e o amor à humanidade (filantropia) geram a certeza de que agir de maneira ética em relação ao outro e à sociedade também é benéfico para o próprio indivíduo.
Agir de forma ética vale a pena. As afirmações do Dr. Fernando Nóbrega e do Eduardo Szazi demonstram como a ética é um fator importante quando falamos do sucesso de uma instituição, da sua capacidade de crescer de maneira saudável e de gerar bem comum, que é o objetivo de toda instituição filantrópica e tem um significado ainda mais especial quando falamos da FJLS, que se dedica à saúde e, mais do que isso, à saúde infantil.
Vivemos a ética. O prof. Adriano Bechara, do Grupo de Estudos de Humanidades, Saúde e Infância, diz que a ética, mais do que um conhecimento a ser aplicado, é um conhecimento a ser vivido, e nas próximas postagens vamos abordar algumas maneiras como isso acontece na Fundação, em diferentes contextos: na realização de pesquisas pelo Instituto Pensi, nas reflexões e discussões dos Diálogos de Bioética e no dia a dia da instituição, sob o olhar do nosso programa de compliance.