Fazendo parte de algo maior. Até aqui, na nossa série sobre Sustentabilidade, falamos sobretudo a respeito da capacidade da Fundação de manter suas atividades de forma perene por meio do aprimoramento da sua gestão. Porém, o termo sustentabilidade é muito mais amplo, referindo-se à necessidade de alinhar aspectos sociais, econômicos e ambientais para garantir o futuro do nosso planeta e a construção de uma sociedade mais justa, e também nesse sentido a Fundação está comprometida e atuante.


É por isso que seu planejamento estratégico se baseia na Agenda 2030 da ONU, que inclui os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), um plano global formado por 17 objetivos interconectados que visam superar os desafios ao desenvolvimento da sociedade. Nas palavras de Ban Ki-moon, antigo secretário geral das Nações Unidades, os ODS “são a nossa visão comum para a Humanidade e um contrato social entre os líderes mundiais e os povos. São uma lista das coisas a fazer em nome dos povos e do planeta e um plano para o sucesso”.


Dentre os 17 ODS, há quatro que a Fundação destacou como de interesse primário na sua estratégia: Fome zero e agricultura sustentável (2), Saúde e bem-estar (3), Educação de qualidade (4) e Combate à violência contra crianças (16.2). Há outros com os quais pretende contribuir direta ou indiretamente por meio de projetos específicos, como Erradicação da pobreza (1) e Água potável e saneamento (6). E há um que se refere à sua forma de atuação, que é o objetivo 17: Parcerias e meios de implementação.


Não dá para fazer tudo sozinho. A Fundação entende que o enfrentamento a problemas tão complexos como aqueles elencados na sua agenda prioritária só pode ser realizado por meio da união de saberes e iniciativas, por isso adotou como estratégia de atuação o grantmaking (doação de recursos) para iniciativas de terceiros, o que hoje é feito por meio do Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável, criado em 2025.


Dessa forma, podemos otimizar o uso dos recursos e aumentar o alcance da atuação, apoiando iniciativas como The Human Project, em Sergipe (sobre o qual já falamos em outra postagem) ou o Programa de promoção de saúde mental nas escolas da Amazônia, desenvolvido pelo Instituto Mondó no município de Breves/PA, entre outras iniciativas de abrangência local ou nacional alinhadas à nossa agenda temática.


Atuar dessa maneira é bastante desafiador, mas também enriquecedor para todas as partes, além de trazer muitos benefícios para a sociedade. Conforme explica a Ana Claudia Andreotti, analista de projetos do Infinis, é muito comum no Brasil as organizações executarem seus próprios projetos, o que permite a elas ter mais controle sobre a intervenção social, decidindo como o dinheiro será alocado e como o projeto será implementado, enquanto o trabalho por meio de parcerias permite compartilhar o poder:


Quando você toma a decisão de não executar projetos próprios mas, em vez disso, financiar outras organizações, você está fortalecendo a sociedade civil e democratizando o acesso a esse recurso. Porque é muito fácil dizer: "Eu tenho um monte de dinheiro, então eu vou decidir o que é prioritário, qual projeto eu acho que é importante financiar e como vai executar, quem são as pessoas que vão executar e onde vão executar". Aí você centraliza o poder. É legítimo também, mas ao trabalhar com parceiros estamos falando "Eu confio na sociedade civil, confio nessas outras organizações para decidirem como gastar esse dinheiro, o que que é prioritário”. Elas estão lá na ponta, elas estão vendo o problema e estão me dizendo “Olha, eu acho que a melhor forma de encarar esse problema é dessa maneira”, e elas decidem. Então é uma forma de democratizar o recurso filantrópico e de descentralizar o poder de decisão e de atuação da filantropia.


Por uma sociedade civil mais vibrante. A sociedade civil tem um papel fundamental na construção de uma sociedade sustentável, por isso seu fortalecimento é uma das prioridades da Fundação. Se por um lado o governo detém os recursos financeiros para implementar políticas, o terceiro setor é capaz de pautar temas importantes, trazendo diferentes perspectivas e qualificando o debate (como fazemos, por exemplo, com nossas iniciativas de produção e disseminação do conhecimento voltadas à incidência política). Ainda nas palavras da Ana Cláudia Andreotti, “enquanto governos vêm e vão, retrocedem e avançam, a sociedade civil tem esse papel de demandar o que é importante. O financiamento dessas organizações ajuda a mantê-las fortalecidas e ativas justamente para os momentos de revés”.