Em determinado momento da peça “A vida de Galileu”, de Bertold Brecht, o cientista Galileu Galilei fica entusiasmado com a possibilidade de finalmente provar suas hipóteses e exclama “Eu acredito no ser humano, e isso quer dizer que acredito na sua razão! Sem essa fé eu não teria a força de sair da cama pela manhã”. Aqui na Fundação também acreditamos na razão do ser humano e na sua capacidade de produzir e utilizar o conhecimento em benefício da sociedade. Por isso, embora esse seja o momento de falar especificamente sobre o conhecimento, a verdade é que já abordamos esse tema em diversas postagens.

Criado para pensar. Aqui na FJLS, o pilar do conhecimento está muito relacionado ao Instituto Pensi (anagrama de Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil). Enquanto no Sabará é aplicado o conhecimento consolidado em medicina e especificamente em pediatria, no Pensi são gerados e disseminados novos conhecimentos que levam ao avanço da área, e essas atividades (ensino, pesquisa e assistência) se complementam desde o início da instituição.

Posteriormente, a Fundação agregou às suas atividades o advocacy (defesa da infância e fortalecimento da sociedade civil), hoje realizada pelo Infinis (Instituto Futuro e Infância Saudável) e que também se baseia na produção e disseminação do conhecimento como forma de garantir que os responsáveis por tomar decisões que impactam a infância no Brasil contem com informações de qualidade obtidas a partir de pesquisas sérias para desenvolver seus projetos.

E nesse movimento de qualificar, por meio do conhecimento, tanto suas ações como as dos atores com os quais se relaciona, o próprio Instituto Pensi cresceu. Hoje, além das pesquisas na área da saúde, são realizadas pesquisas em ciências sociais por meio do Departamento de Pesquisa em Ciências Sociais da Saúde e Filantropia.

Think (and do) tank. A Fundação é uma instituição ligada à saúde infantil que tem antropólogos, matemáticos, economistas e outros profissionais em sua equipe, o que a torna o que chamamos de think tank, ou seja, um laboratório de ideias no qual especialistas de diferentes áreas se dedicam a um único tema, no caso a saúde infantil.

Essa forma de construção do conhecimento a partir de diferentes pontos de vista é uma importante característica da Fundação que já observamos em outros exemplos ao longo das nossas postagens. Como o próprio Dr. José Luiz explicou certa vez, mesmo que ele tenha uma bagagem cultural grande em sociologia, economia e outras áreas, nunca poderá ter um olhar sociológico, antropológico ou econômico sobre a saúde. Nas palavras dele:

Eu posso ter até alguns insights. Agora, quando você leva um antropólogo para discutir o problema, ele tem outra visão. O sociólogo, outra visão. Então é importante que esse antropólogo esteja junto com o médico porque a pesquisa que ele vai fazer é complementar à do médico, e ele vai ajudar o médico também a olhar e entender aquela população de outro jeito. A mesma coisa o sociólogo ou o matemático que poderá apontar os indicadores a serem analisados e tirar determinadas conclusões a partir do próprio conhecimento.

E aqui na Fundação o pensar é complementado pelo fazer, pois o conhecimento produzido pelos pesquisadores ou por outras instituições com o apoio da Fundação tem como finalidade a defesa da infância, o fortalecimento do terceiro setor e o estímulo à filantropia.

Pensamos e Cuidamos. Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, no livro “A era da curadoria”, curar, em português lusitano, significa pensar, o que reforça a função do conhecimento no cuidado com a infância e com a sociedade, desde que seja pautado por valores como a filantropia e a ética, e sempre a serviço da humanidade.

Assim, nas nossas postagens sobre Conhecimento vamos falar sobre a atuação da Fundação nas redes sociais, sobre os eventos que reúnem muitos cérebros para pensar sobre a infância e sobre um projeto de pesquisa extremamente importante realizado pelo Instituto Pensi, que é o Projeto de Triagem Neonatal de Imunodeficiências.