Muito tempo atrás, em uma galáxia distante... quando a internet ainda era relativamente jovem, a rede social mais usada no Brasil era o Orkut e nossa vida inteira não estava concentrada em um aparelho que cabe na palma da mão... o Hospital Sabará reestruturou seu site (na ocasião, o principal canal de comunicação com seu público) e, ao receber o projeto, o Dr. José Luiz ouviu a seguinte recomendação da agência que o assessorava no assunto: “os próximos passos são as redes sociais”. Isso aconteceu em 2009, e a ideia não foi aceita logo de início.

Na verdade, foi só depois que o Dr. José Luiz criou sua conta no Facebook e passou a acompanhar o trabalho realizado nas redes sociais por grandes hospitais pediátricos no mundo que tornou-se evidente como esse recurso poderia ser usado em prol da missão institucional, que naquele momento operava essencialmente por meio do Sabará, já que a própria Fundação só seria criada em 2010, e o Instituto Pensi em 2012. Assim, foi por meio da marca Sabará que a Fundação levaria o projeto adiante, destacando-se em 2011 por fazer algo até então muito incomum: usar ativamente as redes sociais, inaugurando a partir daquele ano páginas no Facebook, Twitter, Youtube e ainda o blog Saúde Infantil, já ligado ao Pensi. Nas palavras do Dr. José Luiz:

Para mim é importante porque dentro da missão da Fundação está não só gerar conhecimento por meio de pesquisas, mas também comunicar, difundir o conhecimento. É um jeito de você dar ao público em geral uma boa informação médica, sobre como cuidar da criança, trazer novidades, informações baseadas em evidências científicas. Levar isso de uma forma que o público em geral possa compreender.

O mundo mudou, e as redes sociais também. A internet e especialmente as redes sociais tiveram e ainda têm o grande mérito de dar voz a pessoas comuns e permitir acesso a um volume de informações antes inimaginável. O problema é que com o aumento do poder das big techs, a monetização do conteúdo produzido pelas pessoas, o surgimento da figura do influenciador e o aperfeiçoamento de algoritmos que impulsionam determinados conteúdos em detrimento de outros, as redes sociais também se tornaram locais perigosos onde se propagam com facilidade as conhecidas fake news.

Não dê ouvidos ao Dr. Fake. Com o tempo, a internet se tornou fonte de informação sobre qualquer assunto e abriu espaço para que pessoas que não são especialistas nesses assuntos influenciassem seus seguidores com mentiras contadas intencionalmente ou por ignorância. Na área da saúde, tivemos a dimensão do estrago que isso pode causar durante a pandemia, embora o problema já existisse antes dela e continue existindo hoje em dia, fazendo com que pessoas percam suas vidas ou comprometam seriamente a saúde por conta da desinformação. Nesse contexto, o projeto iniciado lá em 2009 pela Fundação, de levar ao grande público informação de qualidade, com evidência científica e utilizando linguagem acessível e didática, mostra-se ainda mais relevante.

Hoje, a Fundação e seus braços institucionais (Sabará, Instituto Pensi e Infinis) estão presentes em todas as redes sociais, do Facebook ao Tiktok, e recentemente lançamos nosso podcast “Crescer com saúde”, disponível no Spotify. No conteúdo divulgado nesses canais, mantemos a responsabilidade de sempre nos desviar de grandes vícios e problemas presentes nas redes sociais, orientando sobre saúde sem dar diagnósticos, criando títulos informativos em vez de sensacionalistas, chamando especialistas para falar com propriedade, sendo a maioria deles da nossa própria equipe – e é assim que profissionais da saúde se tornam também comunicadores. E algo que também merece destaque: falamos sobre temas delicados dos quais muitas instituições querem passar longe (suicídio, identidade de gênero, violência, famílias homoafetivas) por entender que eles devem, sim, ser abordados, desde que com a devida responsabilidade.

O lado luminoso da Força. No seu livro “O mundo assombrado pelos demônios”, o cientista Carl Sagan compara a ciência a uma vela brilhando no escuro, dissipando com sua luz as trevas onde vivem os demônios da ignorância. Quando falamos de redes sociais, iluminar o caminho com a luz do conhecimento é um grande desafio porque, de certo modo, as trevas parecem ter vantagens consideráveis. Mas enquanto fake news se multiplicam e se alastram pelas redes sociais, a Fundação segue comprometida com sua ética acendendo pontos de luz e criando locais seguros nos quais discutir saúde infantil, e um importante reconhecimento desse trabalho veio em 2022, quando nosso canal no Youtube, o “Saúde da infância”, passou a fazer parte do Youtube Health como referência em boa informação médica.

Venha para o lado da Luz. Encerramos essa postagem citando mais uma vez nosso Galileu Galilei na versão de Bertold Brecht, “quem não sabe a verdade é ignorante, e isso é tudo. Mas quem sabe e diz que é mentira, é criminoso”. E acrescentamos: quem diz mentiras alegando serem verdades, também é criminoso. E quem dissemina verdades, lutando contra as fake news, torna-se referência. E se você também quer vir para o lado da luz, não deixe de nos seguir em todas as redes sociais!